
A simplicidade está em todos eles. E em todos os seus atos. Criança é assim...
Esses dias mesmo, após uma tarde de domingo(dia em que a casa da mamãe está repleta dos sobrinhos-netos) estávamos, eu e ela -uma das crianças da minha vida- de 7 anos, terminando o banho. Após muitas "estripulias" na água da piscina sob leves raios de um sol aconchegantes, surge a conversa:
Eu: Olha, Laura, que barulinho gostoso do vento!!!!
Ela: É... Eu adoro os sons, tia Beta!!!
Eu: Quais sons, meu amor?
Ela: Todos, o do vento que vc falou é legal, o som das músicas também, mas o que eu mais gosto é o som de quando o pente passa no meu cabelo molhado. Assim... Do jeito que você tá fazendo, logo depois que eu tomo banho...
E foi aí que eu me senti uma tola, e o pior, envergonhada...
Eu, precisando de todo um cenário de árvores em movimento, o azul da piscina sob os leves raios de sol do entardecer, a presença querida de uma pessoa muito amada por mim, e, no fundo, o vento soprando, criando todo um ambiente para aquela cena, e ela, com a pureza de uma criança, revela todo o amor e o prazer de um simples ato corriqueiro.
Foi, então, que com o mesmo pente que eu carinhosamente penteava o cabelo lindo dela, passei, quase que escondido, o pente nos meus, também molhados cabelos, e pude então relembrar como o "som de quando o pente passa no meu cabelo molhado" pode me fazer transgredir aos momentos de cuidados que mamãe tinha comigo quando eu ainda tinha a idade dela. E da sensação de bem estar que o amor nos faz sentir.
E, mais uma vez, eu percebi meu privilégio de amar e ser amada!!!!! Afinal de contas, eu tenho que concordar com a Laura: Não há no mundo som melhor que o do amor!!!




