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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Simples e Essencial


A simplicidade está em todos eles. E em todos os seus atos. Criança é assim...
Esses dias mesmo, após uma tarde de domingo(dia em que a casa da mamãe está repleta dos sobrinhos-netos) estávamos, eu e ela -uma das crianças da minha vida- de 7 anos, terminando o banho. Após muitas "estripulias" na água da piscina sob leves raios de um sol aconchegantes, surge a conversa:

Eu: Olha, Laura, que barulinho gostoso do vento!!!!
Ela: É... Eu adoro os sons, tia Beta!!!
Eu: Quais sons, meu amor?
Ela: Todos, o do vento que vc falou é legal, o som das músicas também, mas o que eu mais gosto é o som de quando o pente passa no meu cabelo molhado. Assim... Do jeito que você tá fazendo, logo depois que eu tomo banho...

E foi aí que eu me senti uma tola, e o pior, envergonhada...
Eu, precisando de todo um cenário de árvores em movimento, o azul da piscina sob os leves raios de sol do entardecer, a presença querida de uma pessoa muito amada por mim, e, no fundo, o vento soprando, criando todo um ambiente para aquela cena, e ela, com a pureza de uma criança, revela todo o amor e o prazer de um simples ato corriqueiro.
Foi, então, que com o mesmo pente que eu carinhosamente penteava o cabelo lindo dela, passei, quase que escondido, o pente nos meus, também molhados cabelos, e pude então relembrar como o "som de quando o pente passa no meu cabelo molhado" pode me fazer transgredir aos momentos de cuidados que mamãe tinha comigo quando eu ainda tinha a idade dela. E da sensação de bem estar que o amor nos faz sentir.
E, mais uma vez, eu percebi meu privilégio de amar e ser amada!!!!! Afinal de contas, eu tenho que concordar com a Laura: Não há no mundo som melhor que o do amor!!!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Semelhantes pelo convívio


Ela é geniosa, apesar de sedutora!!!! Faz tudo só na sua hora, não adianta ninguém berrar, falar baixo, fazer dengo ou chantagem, que ela só fará o que bem entender, e na hora que tiver vontade. É parceira, apesar de tudo. Quando vc menos espera, ela tá ali, bem do seu ladinho, sem que vc percebesse que chegou.
Sensível, perceptiva, mas birrenta, mal-educada, quando quer, egoísta, mal humorada pela manhã, preguiçosa quando acorda, e não gosta muito de ficar no meio de muita gente não!!!! Agarrada demais a quem ama. Ciumenta ao extremo, porém de uma inteligência sagaz, que faz com que os menos atentos não percebam essa sua característica.
Será essa a Malú, ou esse próprio ser que aqui devaneia????
Malú é uma shih-tzu.
Somos parceiras há 3 anos e meio, quando ela veio pra minha vida com apenas 45 dias. E é impressionante como esses bichinhos adquirem as características dos que convivem mais próximo deles. Nos primeiros 2 anos éramos só nós duas. E foi o suficiente para que ela pegasse muito do que eu sou, e para que eu aprendesse muito com ela!!!
Amor incondicional, companheirismo, sensibilidade, carinho, cuidado, ser cuidado...
É uma experiência valiosa, desde que se tenha afinidade a animais.
O triste é quando eles se vão. Mas o que vale é a experiência de aprender,a cada dia, uma linguagem que não se fala, não se lê, não se escreve, nem se mede: o amor!!!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Irmã

Engraçado começar a falar de mim, falando da minha relação com minha irmã.
Engraçado, pq não temos lá aquela cumplicidade que em geral as pessoas esperam que 2 irmãs tenham. E mesmo assim, falar de mim, sem expor o que sinto, e o que ela significa pra mim, seria assistir a um filme da metade pro final, tomar café morno, chegar no final da festa, olhar a borboleta, esquecendo que ela já foi lagarta...
Somos só nós duas. Mamãe ficou viúva quando eu tinha 10 meses e ela 3 anos.
Mamãe sempre trabalhou muito e viveu no luto desde então, apesar de sempre dedicar-se ao máximo para que fôssemos sempre muito felizes.
Por essa ausência da mamãe(pelo trabalho), minha irmã foi sempre meu apoio, minha escudeira, minha cuidadora. Sempre dramática, como só ela sabe ser. Um drama com muito requinte de sedução!!!!
Crescemos, e aos 19 anos, tive que mudar de cidade, quando entrei na faculdade. E foi, então, que muito de mim mudou! E muito de mim ficou.
Como o vale e a montanha, o topo e a depressão, a borboleta e a lagarta, o vento e o furacão, o grão e o pó do café, o glacê e o suspiro... Tão distintos, embora com as mesmas origens e a mesma essência.
E é isso que tanto nos irrita. Tão diferentes, mas verdadeiramente unidas.
O conforto está no imenso amor que sentimos, apesar de tantas contradições.